terça-feira, 8 de julho de 2014

Mel, Fel, Nada

É incrível como a vida consegue dividir as pessoas de acordo com o que elas têm pra dar. Poucos sabem entender a entrega de cada ser humano, ou quando entendem, pode demorar um pouco. Às vezes, também, a gente quer que a entrega do outro seja parecida com a nossa, mas olha! Não é. E nem vai poder ser, porque a entrega é feita da vontade, e a vontade vem da natureza, da cultura, do gene...

É. "Quem tem mel dá o mel, quem tem fel dá o fel... e quem nada tem, nada dá.", já dizia alguém importante por aí.
A gente que tem mel pra dar sabe reconhecer quem tem o fel e, pior, aquele que não tem nada. Esse é pior dos casos. Nada, nadica, nem um ponto de nada. Até quem dá o fel pode ser que mude um dia, será? Às vezes se arrepende. Às vezes põe pra jogo, conversa, se expõe. Olha aí a vantagem já. Mas quem tem nada não tem disponibilidade, não tem tempo pro outro, não sabe olhar pra frente e ver que existem outras pessoas ao seu redor. Simplesmente não sabe dar nada e também não exige muito do outro... e quando quem tem pra dar encontra alguém que não tem, a briga é feia. Não adianta, amigo, dar mel nem fel praquele que nada tem a dar pra você. Cai fora, ou entende essa.

Eu tenho mel, e graças à sabedoria e às voltas da vida, hoje vivo de encontro com pessoas da mesma vontade que eu.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ensaio sobre a leveza

E de repente a retrospectiva do ano de 2013 passa pela minha cabeça, bem como um filme. Sabe aqueles filmes que começam devagar, lentos e com o "já sei o final!", mas que ao longo dele a trama se torna surpreendente e você sai do cinema pensando: "que filme genial!"? Então, é como o meu. E como todo filme sugere uma reflexão e carrega uma lição (ou pelo menos deveria), mesmo que seja a partir de um ou mais detalhes, eu pude extrair do meu filme inúmeras e valiosas lições.

O amadurecimento fez parte dele e pude constatar o ingrediente fatal pra felicidade: a leveza. Quando somos leves - de mente, alma e corpo - somos mais no mundo, somos mais pra nós mesmos. Eu me transformei em leveza; talvez tenha reencontrado a leveza de que tanto sentia falta, e que graças ao poder da vida pude agarrá-la novamente - e pra dessa vez nunca mais soltar. A leveza faz parte da minha essência, constrói meus valores, alimenta meu amor por mim, pela vida e pelo que posso amar, dando brilho aos meus olhos e simplicidade aos fatos.

Termino meu texto com um trecho de uma das minhas músicas prediletas:

"Aprendi da importância de não dar muita importância, ficar com os meus pés no chão
Aprendi que viver cansa, mesmo vivendo na França, mesmo indo de avião
Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça, tomando champanhe ou não
Aprendi que a desavença é porque sempre alguém pensa que ninguém mais tem razão
Aprendi que a descrença, a desconfiança e a doença são partes da maldição (...)"

("Aprendiz de Feiticeiro" - Cassia Eller)

Um beijo leve pra todos os protagonistas dessa vida.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Agora e sempre

Quem sou eu agora
Me transforma
Quem sou eu agora
Sempre quis ser pra fora
Quem sou eu agora
Minha essência que aflora 

Quem era eu antes
Me devora
Quem era eu antes
Me apavora
Quem era eu antes
Não pode ser eu agora.

Quem sou eu agora
Me conheceu antes de antes
Quem sou eu agora
Volta pra ser gritante
Quem sou eu agora
Grande

Quem era eu antes
Sem avante
Quem era eu antes
À deriva, distante
Quem era eu antes
Sem poder ser num instante.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Meu hoje

Já dizia Vinicius, naquele clichê que não é clichê por acaso: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."

O momento em que tudo parece estar certo, mas, como se trata da vida, pode-se esperar que aconteça de tudo. A vida te proporciona todas as sensações possíveis em poucas semanas. E pode te proporcionar nenhum sentimento por tempo indeterminado. Muito louco, não? A relação vida-sentimento é uma montanha-russa: ela tá ali no mesmo lugar, no ponto fixo - pra sempre - mas dentro dela há a troca constante de pessoas e muito, mas muito movimento. Por isso, "sentir" é muito profundo, ao passo que as sensações são mutáveis e, o sentimento, único.

Conforme a vida vai passando, vai te mostrando que o que estava errado tem conserto, mesmo que ele seja "usar o erro para o acerto do futuro". Você desperta, acorda: começa a enxergar que você precisa sair do que não é você, do que as pessoas acreditam que é você, que precisa ser você. Perder sua essência é praticamente proibido e, se você estiver a ponto de cometer esse erro fatal, torça para que te façam acordar: alguém, ou alguma força maior.
Mais dois clichês lindos e cheios de verdade: Nada é por acaso e tudo acontece no tempo certo. A força maior vai interferir no momento em que você mais precisa enxergar.

Por enquanto isso é tudo. Tudo é ao mesmo tempo. E só o que vai ser da vida, ela mesmo dirá. Mas só depois.

domingo, 31 de março de 2013

ambiguidades

às vezes as ambiguidades se tornam tão frequentes no meu dia-a-dia que minhas forças acabam. sei que não há culpa maior, mas também não tenho que sofrer com isso. por serem frequentes, penso que podem ser de propósito ou, pior, sem pensar. quando se diz algo e se faz outro, é estranho, porém não posso julgar. um dia pode, no outro não. ou um dia não pode e no outro sim. comigo pode, com o outro não, mas depois com o outro pode e comigo não. pelas ambiguidades tomarem conta de mim, eu resolvo não me preocupar mais com elas, porque sei que não são propositais, mas, porém, contudo e todavia elas existem - e poderiam não existir.
confusão e compreensão;
sofrimento e ignorância.
ambiguidade.

sábado, 29 de dezembro de 2012

A vida sem cor

A vida sem cor é um mistério.
A vida sem cor é sem samba, é sem bossa, sem música ao olhar uma paisagem.
A vida sem cor é sem risadas, sem amigos, sem curtição.
É sem leveza.
A vida sem cor é sem paisagem, não tem cenário. Não tem brilho, não tem olhares com intenções.
A vida sem cor é também estar preso e não conseguir sair, é só ver um lado, é sem paixão.

A vida sem cor é não ter planos, é não querer.
É preta e branca, sem possibilidades.
A vida sem cor é viver a fim de que?
A vida sem cor é tensão. Preocupação. Sombrancelhas franzidas. É intolerância, é impaciência.
A vida sem cor é sem família, é sem compartilhar.

A vida sem cor não pode ser pra sempre. E nem pra agora.
A vida sem cor não é merecida por ninguém, nem por mim.
A vida sem cor é não se importar, é não sair pra ver o que há. É não se movimentar. É esperar pra ver.

A vida sem cor é não cantar, é não berrar, é não estar feliz.
A vida sem cor é não notar os detalhes, é onde se perde a gentileza. É sem humor.
É preciso mudar. É preciso de cor.

A vida sem cor é não viver.

sábado, 13 de outubro de 2012

Eu sou o valor das coisas simples

de todos os espaços, encontrar o meu é uma sensação única. se eu o vejo e, melhor e mais, o reconheço, me reconheço como um todo. o reconhecer, pra mim, é: perceber que entrei em contato novamente (depois de muito, mas muito tempo) com a minha essência através do que a desperta. havia esquecido do que fazia ela despertar e, finalmente, reencontrei o caminho.
a vida é feita das menores coisas, pois são elas que despertam e fazem as maiores florescerem. o foco precisa ser no pequenino, no detalhe. senão, é capaz de nos perdemos no vasto.
porém o vasto ainda é rico, só que é preciso de um caminho até ele, que é através do átomo, do simples, do visível aos olhos... do concreto.
a certeza de si mesmo é a força necessária para o movimento do externo. então, basta encontrá-la (ou reconhecê-la, como fiz, pois já a havia achado), seguir com o coração no seu próprio chão, no seu próprio terreno, e, com os pés onde suas escolhas devam te levar.
a paz interior se torna, então, a felicidade nos mundos.
um até breve.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Cadê?



É, logo eu perguntando isso. Sempre fui rodeada deles, mas agora os perco de vista.
Me pergunto se sou eu, se são eles, se é o tempo ou tudo junto.

Aquelas dúvidas podem estar adormecidas. Nunca morrem.
Quando reacendem, atravessam minha mente como a ventania da estação...

O tempo passou e elas permaneceram. Enquanto aquietaram, a vida correu, laços se estreitaram e outros se enfraqueceram.
Laços enfraquecidos, agonia. Agonia por não ter controle sobre o tempo e sobre cada momento não compartilhado com eles.

O que será? Aqueles e aquelas que sempre moraram no meu coração, do lado esquerdo e em cima. Confidência, exclusividade, olhos nos olhos.

A amizade e a compreensão mútua me movem desde criança. Sem elas, não existo. Confesso que perdi grande parte da minha personalidade; já nem uso mais as mesmas roupas.
Sobre como conviver com essa falta ainda precisarei refletir... Até o fim, eu não posso.

Sei do buraco no meu peito e, mutuamente - e ironicamente -, da aproximação de pessoas que cada vez menos têm a ver comigo.
Estou perto de quem não me quer tão bem e longe das que eu mais amo.

Espero que alguém jogue bastante terra para ele tampar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O frio nem sempre é exagero...


O tempo ruim sinaliza.
As folhas já não são as mesmas.
Os galhos, frágeis e atados aos trocos enraizados.

O cinza recomeça e as nuvens são uma só...
O vento esperado chega sem espanto, porém é demorado.
O chão frio com a esperança de dias coloridos!

Quem passa por ali pela primeira vez?
E quem retorna?

O retorno ao sentimento é pior do que nunca antes ter lidado com ele...
Aqueles que sentem novamente passam pelo caminho cinza com a culpa de um dia ter ido ao encontro daquelas árvores.
Mas como não voltar?
Como não achar que o retorno faz parte da sua própria insistência?

Cadê aquele que sempre esteve com você nas caminhadas geladas?
Nas caminhadas quentes, corriqueiras, sorridentes e frígidas também.
O que aconteceu com ele? Ou com você?

De repente tudo parece pontual e simples... Meia volta pra casa.
A minha casa é quente e, o melhor: Lá estou eu.

Voltem sempre pras suas casas... É lá que está quem importa primeiro: Você.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Que Rei sou eu?


Essas últimas semanas estão me fazendo enxergar muitas coisas que já enxerguei, mas por algum motivo, as esqueci. Sabe quando certos acontecimentos se encaixam com outras conversas que se encaixam com um texto que você lê sem querer? Pois é. Isso tudo aconteceu comigo e me fez voltar a sentir um pouco do que eu já fui. Do que eu já pensei.

Cheguei a algumas conclusões, mas a que com certeza eu vou levar pra frente é essa aqui: Não posso achar que ter boa intenção basta. Claro que só ter a intenção não basta mesmo. Mas mesmo a expressando, que por acaso é uma das coisas que mais faço, algumas pessoas não a percebem. E se percebem, não a priorizam. E o mais interessante de toda odisseia é que, essas pessoas, são as que eu mais amo.

Sabe... Sou puro amor e pura compreensão. Generosidade não me falta. Sem falar de paciência. Sou inteiramente pro outro que amo... E perdoo. E repenso. E refaço. Me reinvento a cada momento em que não agrado.
Mas porque não agrado? Além da minha intenção, tem o meu amor e meus atos. Isso não
conta? Será que as pessoas se acostumaram com a minha extrema compreensão?
Talvez seja isso.

Mas já estou sem alguma paciência.

Um até.